Insolvências em Alta e Constituição de Empresas em Queda: Um Retrato da Economia Portuguesa

Os últimos meses trouxeram dados preocupantes sobre a saúde económica em Portugal. O aumento do número de insolvências e a diminuição das constituições de novas empresas revelam tendências contrastantes que afetam diferentes setores da economia e regiões do país.
De acordo com os dados mais recentes, o número de insolvências registou um aumento significativo. Nos primeiros nove meses de 2024, verificou-se um crescimento de 12% face ao mesmo período do ano anterior, com um total de 2.891 insolvências reportadas. Este aumento é impulsionado, em parte, por um acréscimo de 49% nas insolvências declaradas pelas próprias empresas, assim como por um aumento de 41% nas solicitações de insolvência por terceiros.

As indústrias transformadoras e os setores de eletricidade, gás e água foram dos mais afetados, apresentando um crescimento de insolvências de 31% e 80%, respetivamente. Por outro lado, Lisboa e Porto, embora continuem a liderar em número de insolvências, registaram reduções de 9% e 4%. Em contraste, distritos como Portalegre (+977%) e Bragança (+775%) registaram aumentos expressivos.
Em sentido oposto, o número de novas empresas criadas tem vindo a diminuir. Até setembro de 2024, verificou-se uma redução de 2% nas constituições, totalizando 38.641 novas empresas. Lisboa e Porto continuam no topo, com 12.145 e 6.583 constituições, respetivamente, mas ambas as regiões apresentaram quedas em relação ao ano anterior.

O setor da construção destacou-se com um aumento de 8,6% no número de constituições nos primeiros sete meses do ano, acompanhado pelos serviços gerais e pelas tecnologias da informação, que cresceram 3,1% e 5,5%, respetivamente. Contudo, os transportes (-25%), alojamento e restauração (-4,5%) e o comércio grossista (-9,1%) registaram quedas significativas na criação de novas empresas.

O Impacto nos Setores e o Enquadramento Jurídico
Estes dados refletem dinâmicas económicas que exigem atenção redobrada por parte das empresas e dos investidores. Do ponto de vista jurídico, é essencial que as empresas enfrentando dificuldades financeiras considerem soluções como a reestruturação de dívidas e a renegociação de contratos para evitar a insolvência. Por outro lado, os empreendedores devem avaliar cuidadosamente os setores em crescimento e em declínio antes de investir na constituição de novas empresas.

O aumento das insolvências também ressalta a importância de um acompanhamento jurídico rigoroso em processos de recuperação ou encerramento de empresas, de forma a proteger os interesses dos envolvidos e garantir conformidade com a legislação em vigor

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